Jason Schwartzmann e o tédio

Rushmore (Três é Demais) foi a estreia de Jason Schwartzmann no cinema e primeira parceria com o diretor Wes Anderson. Ele era Max Fischer, um aluno petulante de um colégio tradicional americano, mentiroso e completamente obcecado por cursos extracurriculares. Max por si só já era um bom personagem, mas a amizade com um magnata interpretado por Bill Murray o tornava ainda melhor. O filme concentrava-se no triângulo amoroso entre os dois e a professora de educação infantil Miss Cross, e o carisma de Jason me fazia praticamente torcer para que os planos absurdos de Max dessem certo.

Desde então, passei a assistir tudo que envolvia o ator. Viagem a Darjeeling, I heart Huckabees, Maria Antonieta, O Fantástico Sr. RaposoE Bored to Death, a única série de televisão que me cativou desde Freaks and Geeks (que, aliás, também contou com a participação de Jason).

Quem assina o roteiro da série é Jonathan Ames, escritor americano que emprestou seu nome ao próprio protagonista e viu em Jason o intérprete perfeito para o papel. O Jonathan da ficção vive de romances passageiros, tem poucos amigos e adora uma taça de vinho branco a qualquer hora do dia (não muito diferente do da vida real). Para encontrar inspiração para escrever seus livros, ele decide virar um detetive particular informal. Mas seus “casos” não são responsáveis pelos melhores momentos, e sim os diálogos travados com os amigos Ray e George.

Zach Galifianakis (Ray), o autor de HQ autobiográfica, aparentemente reluta em participar das pirações investigativas de Jonathan, mas acaba por sempre se sentir um herói no final. Ted Danson (George) rouba a cena como o editor de uma revista tradicional de Nova Iorque, desiludido com a profissão, mas curioso, classudo (e maconheiro) por natureza. Juntos, os três dão a graça a “comédia noir”, cuja abertura tem uma música da banda de Jason, a Coconut Records (que merece um vídeo da minha favorita deles, West Coast).

Obsessão pelo elenco a parte, Bored to Death faz do tédio um momento fascinante de ser assistido.

Links que você pode gostar:
Coconut Records – Microphone
@JonathanAmes
@boredtodeath

Flanger – Midnight Sound (2000)

Se eu não tivesse a mania de treinar os ouvidos para sonoridades consideradas agressivas em termos de harmonia e bla bla bla de teoria musical, poderia facilmente dizer que Flanger faz um tipo de música que psicopatas gostam de escutar no carro antes do jantar.

Pode até ser, mas acho que combina mais com aquele dia que você chega em casa totalmente cansado, liga o som e se entrega para o sofá enquanto a música involuntariamente se torna a trilha perfeita para os seus pensamentos mais íntimos.

Ou então, se um dia alguém for DJ de uma festa (do cabide) no elevador, poderia usar facilmente este álbum em sua seleção. Afinal, Flanger é ambient, meio electro, jazzy & sexy.

O álbum Midnight Sound é espacial e combina com uma garrafa de vinho e pouca luz. Quer testar? Prove aqui!

Ressuscitando vampiros e zumbis

Os mortos estão de volta. The Walking Dead estreou há uns dias sua 2a. temporada nos EUA (o que não significa nada para quem usa Torrent), e já tem garantida uma terceira. Veio, literalmente, enterrar a saudade de Lost, do qual todos ficamos um tanto órfãos. Série baseada em quadrinhos, sobre um mundo dominado por mortos-vivos gerados por um vírus letal. Mundo pós-apocalíptico, fazendo coro a vários filmes que seguem destruindo o mundo e convertendo essa gente humana em predadores sanguinários, seja para amedrontar ou fazer rir. Poderia listar uma sequencia de filmes com a mesma lógica, mas alguém iria me dizer que no filme do Will Smith aquilo não eram zumbis. Acho mera diferença técnica.

O fato é que os zumbis lá do passado, criados por George Romero no já clássico “A noite dos mortos-vivos” (Night Of The Living Dead, 1966), ressuscitaram, estão por aí, vivíssimos, nos lares americanos e mundiais, devorando cérebros, ameaçando a civilização (não tão civilizada assim), e ainda mais, a vida inteligente (não tão inteligente assim), na Terra. Ok, nada de novo. E não me interessa falar da trama, o que me interessa é saber o porquê do sucesso dessa horda bizarra que os dias de hoje vieram somar a outra praga: a dos vampiros andrógenos, assexuados e ambíguos. E adolescentes.

Zumbis se prestaram para um número enorme de metáforas: do pavor ao comunismo, passando pelos movimentos negros (as violentas manifestações nos guetos do Bronx), crítica à febre de consumo à chegada do vírus da Aids. E é isto me interessa, a que sensibilidade fala – ao inconsciente coletivo do mundo – a febre de zumbis e vampiros.

Gosto de pensar. Toda matéria artística (sim, é entretenimento, é televisão, é consumo, mas é arte também) que reverbera, constrói-se sobre certa sensibilidade que é reflexo imediato de seu tempo, da sociedade, etc. Vamos ao que interessa.

VAMPIROS

Não precisa ser muito inteligente para entender que o fenômeno vampiresco, em diversos filmes, seriados etc, deve-se ao papel central que tem o JOVEM/ADOLESCENTE (mesmo aos 40 anos) nos dias atuais. O universo jovem determina quais músicas passarão no rádio, qual filme dará bilheteria no cinema, qual arte (interativa: jovens odeiam passividade) será dada à exposição. Por isso quadrinhos, games, heróis, bruxinhos, material adolescente infantil ocupam todas as esferas da comunicação, de televisão à televisão, dominando bilheterias, determinando audiência, merchandising e produtos.

Por isso já não “se denominam obras de” filmes clássicos, e sim “filmes ANTIGOS”. Filmes Cults são os da semana passada, flertam com o picote, com a edição em ritmo de videoclipe, com tudo que for mixado, repartido, replicado, colado e embalado com NOVO. Não é uma crítica à ascensão do gosto do público jovem, é apenas constatação do fato de que a sensibilidade contemporânea está à serviço deste segmento. É ele que dita moda, posto que é quem mais consome e que melhor está instrumentalizado para se jogar às mudanças galopantes do presente, de tecnologias mil que proliferam, para as quais o velho é inábil. Falamos de um mundo carnal, hedonista, espaço de consumo e pouca reflexão. O culto ao JOVEM leva-nos hoje, obviamente, ao pavor de envelhecer, da decrepitude, de tornar-se obsoleto. Daí o desespero dos VELHOS, das academias lotadas, dos consultórios de plástica, dos silicones, hormônios do crescimento, aparelhos/implantes/clareamento dos dentes, produtos de beleza, coloração, maquiagem; pílulas azuis contra as brochadas; antidepressivos para anestesiar a consciência da passagem, as drogas/pílulas/álcools para intensificar a curtição sincopada nas raves hypes e baladas. Um mundo de música intermitente. Engodos, já que envelhecer dói. Envelhecer mata. E pior: num mundo onde a JUVENTUDE é o paradigma, o JOVEM é o objeto máximo do desejo, o que se reflete, claramente, no aumento da pedofilia no mundo.

Neste contexto de horror e morte, todos aspiram a ser Vampiros, pois esses já estão para além da morte, a venceram. Ocupam um outro patamar, sem dependência de Deus/deuses, sem moral a seguir e sem culpa. Além disso, vampiros apresentam uma sexualidade latente, por vezes incontrolável. Nosso inconsciente cruel, precisa contudo botar freio mesmo em nossos desejos de eternidade e autonomia. Tal energia, por isso mesmo, deve ser contida, enterrada, represada, castrada com decapitação ou com estacas fálicas, direto no coração, onde pulsa energia, desejo, amor. Vampiros são eternos, mas imaturos, insatisfeitos e insaciáveis; acumulam e ressaltam sempre as “deficiências emocionais” humanas. A primeira coisa a abdicar é a alma, o espírito, a consciência moral – a transcendência, que para além do carnal, converteria individualismo em totalidade (Deus). Por isso também, vampiros são falhos, devem ser perecíveis, sujeitos a uma lei implacável que impõe ordem, que cobra com violência e sangue a ambição de ser algo próximo dos deuses. Já lobisomens não são tão diferentes, talvez mais animalizados e eróticos. Poderíamos ir mais fundo, mas isso aqui é internet, passemos ao próximo.

ZUMBIS OU ZUMBIES

Zumbis respondem ao mesmo princípio simbólico, refletem o horror à decrepitude, à falência do corpo, à paranoia em relação às doenças. Ou seja, ambos mostram que o HORROR está na perspectiva da MORTE, na consciência de que somos perecíveis, e que caminhamos para um fim. Isto por que vivemos numa época em que velhos, doentes e mortos precisam ser confinados, causam repulsa e aversão, pois nos lembram o destino fatal do que é humano e vive. Hoje, a boa morte é asséptica, faz-se em asilos, clínicas, hospitais; e são sempre tidas como fatalidades, não um destino natural. Por isso os mortos não são mais velados, chorados por uma família inteira reunida, na presença da criança. O cadáver sai do leito hospitalar direto para o necrotério, depois de um velório cronometrado pelo “Plano Funerário”, hoje mais imprescindível do que Seguro de Saúde e de Furto. Já não se faz velar, nem missa, nem se se cobre de preto a gente familiar em choro convulso. Já não pega bem. Tudo é visto como um fato vergonhoso, constrangedor; manifestações sentimentais são vistas com tolerância ou cinismo. Posteriormente, a dor é calada à antidepressivos, e a memória do morto enterrada ou cremada com ele.

Zumbis são o corpo sem transcendência, sem alma. É a morte que precisa ser abatida justamente na cabeça, suprimindo o pensar/pesar. Há claramente algo de negação nos atos violentos contra os mortos, sempre uma ameaça, famintos também de nossas cabeças. Como num video-game, matar torna-se divertido, e num filme de zumbi justifica-se pois o ato de violência é um ato de sobrevivência. É um novo Darwinismo, um nova forma de perversão.

Mas The Walking Dead avança também para questão sócio-política e econômica. É metáfora da crise financeira mundial que converte desempregados em ameaça, e os sobreviventes em desgarrados sem casa, famintos atrás de bens de consumo. A série é mais sobre que “valores preservar em meio ao caos” do que exatamente sobre zumbis. Eles estão lá para serem abatidos, para serem mortos, para atravancarem o caminho, interromper as indagações dos sobreviventes. O que pesa mesmo é a questão da “crença na ciência” (para um cura), na ausência de Deus (que permitiu o apocalipse), nos valores que podem restar quando a barbárie se instaura: amizade, laços familiares, honra, integridade, solidariedade, heroísmo, etc. Nesta terra devastada, terra de ninguém, o que faz do humano, humano. Acho engraçado surge a questão de que cedo ou tarde os zumbis estarão inevitavelmente mortos, e caberá aos sobreviventes iniciar uma nova civilização. Estranho que estão todos preocupados em pensar numa cura (a ciência já se mostrou incapaz) e mesmo o Sistema (político/militar) mais que agônico, está morto, mais morto que os zumbis. Prova da descrença também nas altas instituições. The Walking Dead é sobre valores, é um “conto” moral, um discurso “moral” sobre a perspectiva estadunidense.

No final, claro, sobre o drama sobressai o grotesco, a violência escamoteada e que os jogos eletrônicos nos anestesiaram a percepção, e já não o vemos. E rimos. Uma série que nos ajuda a esquecer que todos nós sim, somos um tanto zumbis diante da televisão.

Marechal, Sombra & Projeto Nave

No último dia 21, os MCs Marechal (ex-Quinto Andar) e Sombra (ex-SNJ) se apresentaram junto com a banda Projeto Nave no palco do Mezzanine Lounge em Santo André. Foi mais uma edição da festa organizada pela equipe do Projeto Control.

Nós da SOUL ART estávamos presentes e registramos como foi esse encontro. Confira no vídeo e compartilhe!

Black Alien em Santo André!

Gustavo Ribeiro, vulgo Black Alien, lançou um som novo com a colaboração de Junior Dread e Stereodubs. Não tinha como dar errado, se liga:

Falando em Black Alien, o cara está prestes a lançar um álbum solo novo, sete anos depois do primeiro e histórico Babylon By Gus vol 1: O Ano do Macaco. (Aliás, falando em Babylon by Gus, minha música favorita desse é essa aqui). Chamado de “Mr. Niterói: A Lírica Bereta”, ele vem acompanhado de um documentário homônimo, feito pelo mesmo diretor do doc Black Alien: O Filho Pródigo. Ó o trailer:

Tá, já coloquei uma porrada de vídeos, mas deixei o melhor pro final. Sabe qual é o melhor? Que o cara tá vindo pra Santo André! Dia 11 rola um show no Mezzanine, pelo Projeto Control. Depois de um monte de gente que manda bem, tipo Criolo, Marechal e De Leve,  tá na hora do Black Alien, como diz o Sombra nesse vídeo feito (tã-dã) pela equipe SOUL ART:

Estamos avisando com antecedência pra ninguém ficar de fora!

Você não vai moscar, né?

Uma música para o seu longo dia

Uma de minhas músicas preferidas tem 11 minutos e 53 segundos, e eu não tiraria nem um segundinho sequer. “The past is a grotesque animal” do Of Montreal é quase um livro de tão boa. Então, fui caçar na minha listinha do winamp (sim, sem i tunes para mim) quais outras músicas que não acabam e que eu bem que gostaria que não acabassem mesmo. Ficam aí as dicas para os dias longos.


(11:53)


M83 – Beauties Can Die
(14:37) tem como ser mais bonita?


(9:27)


(só 6:02)

:)

35a Mostra Internacional de Cinema

Já está disponível a programação completa da Mostra deste ano com filmes imperdíveis! No topo da minha lista está o “The Future”, da Miranda July, citado no post The cool kids.  Mas serão cerca de 250 títulos para cansar de comer pipoca!

Minha maior dica é se concentrar naqueles títulos que você sabe que não chegará nas telas tupiniquins  em breve ou, quem sabe, nunca. Deixe os mais famosinhos e premiados para “caso dê tempo”, pois eles certamente entrarão na programação normal e, alguns, até em cinemas comerciais.

A mostra também traz uma exposição no MIS com trabalhos (pinturas, ilustrações, instalações e colagens) do cineasta Sergei Paradjanov, que também ganha um retrospectiva durante a programação. Vale dar um pulo!

Como sempre, os ingressos são vendidos nos cinemas que participam e, para quem quiser comprar pacotes,  existe a Central da Mostra no Conjunto Nacional. Lá também são vendidos livros com a programação e demais souvenirs.

Aproveitem!

Atrizes que cantam: Zooey Deschanel

Você certamente se lembra dela partindo o pobre coração do garoto que curtia Smiths em 500 days of summer (500 dias com ela). Você também se lembra da cena que virou meme em vários blogs, não é?

expectativas X realidade

Pois bem, eu diria que Zooey é expectativa + realidade. Você olha para ela e espera algo de qualidade diferenciada, e é exatamente isso que recebe. A moça se juntou ao brilhante músico M.Ward e nasceu o She & Him. Em seu segundo álbum (Volume Two), a dupla não inventa e segue o que já deu certo no primeiro (pirulito para quem acertar o título desse), uma mistura de música dos anos 50 com country, pop e rock deliciosa de se ouvir e até dançar.

 


 

Zooey tabém faz vídeos caseiros. Eis um cover de uma música country dos anos 50.

 

E o ano está quase acabando, o natal chegando e Zooey não se esqueceu de você! Está aí um disco com músicas de fim de ano. (Fica a dica para meu presente de natal).

Corra, Lola, Corra (1998)

CORRA, LOLA, CORRA. Neste filme velocíssimo: 1h21, o diretor Tom Tykwer propõe um desafio à protagonista Lola: frenética, ruiva, franca, potente, histérica ou silenciosa, ela terá 20 minutos para impedir que o namorado, aspirante a gangster, recupere 10.000 marcos perdidos no metrô, antes de cometer a besteira de assaltar um mercado para devolver o dinheiro ao seu chefe assassino. Lola corre, literalmente em disparada, contra o tempo. As opções: impedi-lo; arranjar-lhe dinheiro com seu pai ou jogando. A história é contada três vezes, seu destino e daqueles que cruzam seu caminho (narrado em flashes fotográficos) muda a cada esbarrão. Falsamente superficial, essa obra-prima pop tem como tema tempo, acaso, destino. Por isso, no filme, tudo são signos de velocidade: carros, bicicletas, ambulâncias, metrôs, aviões, relógios, roletas, tartarugas, telefones, armas que disparam. Lola morre e renasce, como num game (por isso ciente das falhas), para tentar novos caminhos. Em determinado momento, aposta num cassino (a roleta é materialização da velocidade, da roda da fortuna) e vence no grito, espatifando vidros, espelhos. Brilhante exame sobre tempo e ritmo da montagem, sua linguagem contamina-se do tema: mescla giros, cortes abruptos de videoclipe, flashbacks, ações paralelas, telas divididas, câmera lenta, animações. Assistiu? Corra!

Thais Beltrame em Arte & Transformação

Sexta-feira eu acordei sabendo que o dia seria diferente. Logo pela manhã tinha cara de ser uma sexta-feira como todas as outras: transporte público lotado, pessoas cansadas pela rotina e animadas pela chegada do tão aguardado final de semana. Foi também uma sexta-feira corrida na mesa de trabalho, quase dez horas dedicadas à produção frenética de material impresso, mas algo me dizia que o dia seria especial.

As coisas começaram a mudar pela noite, quando chegamos na porta do apartamento da artista plástica Thais Beltrame onde tive o prazer imenso de conhecer pessoalmente e realizar uma entrevista de quase duas horas, que será editada e utilizada no curta-documentário “Arte & Transformação” — com previsão de lançamento para dezembro de 2011.

Uma pauta livre e sincera, resumida em uma conversa agradável e agregadora em termos de valores humanos e culturais. Falamos sobre arte, cultura, educação no Brasil, grafite, incetivos à produção de arte no país e diversas questões e pensamentos que englobam tudo relacionado ao mundo das artes. Temos material suficiente para fazer um longa e é uma pena ter que resumir uma conversa tão interessante em minutos. Mas, com certeza iremos transcrever a entrevista e publicar neste blog. Afinal, tudo o que é rico e positivo, que pode somar e transformar a vida de alguém, deverá ser compartilhado com todos.

O que mais me agradou foi conhecer uma pessoa que realmente vive, respira e acredita no que faz. E acima de tudo, que retira das profundezas de sua própria alma a inspiração para fazer arte.

Thais, muito obrigado pela recepção carinhosa e espero nos encontrarmos novamente para falarmos sobre artes, gatos e borboletas, Radiohead ou a grama verde que some de nossa cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conheça mais sobre o trabalho de Thais em seu Flickr.