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Escrito em 1930, “A voz humana” foi concebido pelo autor francês para que uma atriz pudesse exercer no palco uma vasta gama de emoções

A Figura Ausente é um filme que se inicia com um galpão teatral amplo e descorado, uma mulher branquíssima, loura, de cabelos curtos, já madura, desfilando num vestido de vermelho bufante. Ela se senta num tipo de banqueta, mas não encara a câmera. Tem uma expressão perdida, ensimesmada.

Num breve travelling, a câmera agora se ergue dos pés até retornar ao seu rosto. Agora, ela está toda de preto, como em luto, o olhar segue vago, com algum desespero. Posteriormente a veremos entrar numa loja de material de construção. Em volta, todos falam em espanhol, sua aparência e roupa sofisticada destoa completamente do cenário, onde se vê homens.

Ela é tão evidentemente estrangeira, que um velho atendente a aborda em inglês. Ela compra um machado que ele embala. Ela coloca numa bolsa, e parte. Esta segunda cena é a única sequência que se passará exterior ao apartamento, onde se passará toda narrativa.

Primeiro filme inglês de Pedro Almodóvar, protagonizado pela incrível Tilda Swinton., “The human voice” é um curta (30 minutos) no qual Almodóvar põe em cena o texto-monólogo-teatral de Jean Cocteau, escritor, artista plástico e cineasta francês. Escrito em 1930, “A voz humana” foi concebido pelo autor francês para que uma atriz pudesse exercer no palco uma vasta gama de emoções.

O enredo: uma mulher cuja relação relativamente longa encerrou recentemente fala ao telefone com o ex. Ele marcou para buscar no apartamento roupas e objetos que deixou. Tensa, ela vaga angustiada pelo apartamento povoado de recordações. Tem por companhia um cachorro, também do ex. Um terno negro sobre a cama – que não será mais compartilhada – pontua a ausência e reitera a ideia de luto. Ela aguarda uma ligação, que chega quando ela está um tanto dopada, efeito dos comprimidos que ela “usaria” para se matar.

A conversa, na verdade um monólogo, é daquelas que pressupõem um interlocutor, ou seja, alguém do outro lado da linha a quem se destina o discurso. O telefone é o canal que intermedia, uma relação que deveria ser direta, presencial e humana e que se faz distanciada, à mercê da conexão (às vezes, truncadas), sem permitir avaliar no rosto e no gestual do outro o modo como as palavras chegam e o impactam. Isso é o que interessou a Cocteau ao escrever um texto a ser dito a alguém pelo telefone, o que lhe permitiria intercalar silêncios, exigir a construção “de um corpo ausente”, exibido, exteriorizado pelas palavras e reações de uma só pessoa, a atriz, a amante desprezada.

Fiel ao original, no filme de Almodóvar, o espectador é testemunha. Sem escamotear ser um texto para teatro, o diretor manchego reforça mais o artifício. O apartamento é um palco com cômodos milimetricamente decorados com obras de artes que evocam (ou ilustram) momentos de amor, ruptura, solidão e morte. Nelas, mulheres desnudas se expõem sensuais, sofrimento e êxtase se misturam nessas representações. As referências artísticas espalhadas em livros, encartes, filmes e peças remetem ao cinema e a artistas americanos e/ou de língua inglesa.

A voz humana é um filme-ensaio, extremamente estetizado, muito atento à decoração (cenário), composto de um colorido de cores básicas, fortes e exuberantes, marca de Almodóvar, mas aqui levada à hipérbole, para extasiar os olhos, encher as vistas, entorpecer. Poderia ser um exercício gratuito de exibição técnica, refinamento de arte pela arte; contudo, não deixa de ser um filme-homenagem ao seu criador, Jean Cocteau, artística múltiplo: escritor, cineasta, pintor, criador de figurinos de balé e decorador.

Alterando silêncios, movimentos bruscos, e verborragia, Tilda vai da apatia à fúria. O extremo é pedir ao ex-amor que olhe pela janela e veja o apartamento onde viveram sua relação em chamas, como todos os seus objetos para sempre perdidos, convertidos em cinzas. É o fogo purificador da catarse, mas é uma catarse pela consumição daquela história, das memórias. É violenta (como a cena do machado, encenada antes da ligação, quando a mulher golpeia o terno negro sobre a cama), uma libertação que se faz pela aniquilação, por uma boa dose de vingança.

A protagonista é uma artista, seu ato é também performance. A casa é cenário, palco, templo, exteriorização da pessoa que é. Incendiá-lo exigirá dela um novo nascimento. Neste renascimento compulsório e autoinfligido, cessa a espera angustiante. O “ataque de nervos” final fará com que tome posse definitiva do cachorro (único espólio da relação), além da construção de um outro eu.

Não me emocionei com o filme. Não há tempo em tela para construção da personagem, já que sua relação é construída nas entrelinhas do monólogo. Intelectualmente é um deleite, esteticamente é o desbunde máximo de um Almodóvar que domina todos os recursos da direção. O texto de Cocteau não lhe é novo, é a base de “A flor de meu segredo”, o filme que dirigiu em 1995. Protagonizado por uma potente Marisa Paredes, é um filme misteriosamente pouco conhecido do diretor espanhol, belíssimo, mais próximo de sua produção mais “madura” (melhor dizer, atual). A questão da separação está lá, mas agora mais encenada do que dita, com excertos do monólogo ditos ao telefone ou diretamente ao amante.

A ruptura amorosa, a crise emocional, o luto e a superação são elementos caros a Almodóvar que reiteradamente os filma, reencenando em variações em diversos dos seus filmes. Esse “motivo” explica sua retomada ao texto de Jean Cocteau, além da questão de vida como palco (sempre presente nos filmes, onde atrizes protagonizam e estão em cena), os dramas pessoais do “artista” que sempre interferem e se misturam na obra que criam, e certa ruptura “brechtiana” que mostra o – por trás das câmera, a coxia teatral, o palco como parco, a vida também como artifício. Não e pouco. Vale!

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