Os grafiteiros da Escandinávia

O último final de semana foi urbano, já que Copenhagen recebeu o festival Nordic Urban Chalenge. Acolhendo artistas da Islândia, Finlandia, Suécia, Noruega e, claro, Dinamarca. O festival teve um pouco de tudo: rap, dança, grafite e skate. Desde os velhos tempos dos vikings, os países nórdicos sempre gostaram de competir e guerrear uns com os outros. Na semana passada, a tradição foi seguida. Mas, desta vez, a competição teve a arte como única disciplina.

O que faz todo o sentido, pois os grafiteiros, por exemplo, já têm inimigos suficientes para guerrear, como a polícia. O fato é que o grafite na Escandinávia passou por uma política de tolerância zero por muitos anos, e ainda sofre com isso. A percepção das pessoas perante ao grafite é muito diferente daquela que acontece no Brasil. Pode-se dizer que, na Dinamarca, a atitude de um grafiteiro é muito parecida com a de um pixador. Primeiro porque o grafite na Escandinávia é tão ilegal quanto a pixação no Brasil. Isso quer dizer que os artistas escandinavos pagam durante muito tempo por delitos, como um pequeno desenho, mesmo que o tenham cometido quando ainda eram menores de idade. Como consequência da punição, não podem deixar seus países. Em segundo lugar, os grafiteiros nórdicos precisam aprender a pintar em temperatura abaixo de zero, com os dedos dormentes, o que torna o grafite apenas para aqueles que não são friolentos. Por outro lado, quase não há prédios de mais de quatro andares na Escandinávia, ou seja, não se arriscam tanto quanto os pixadores brasileiros.

Os grafiteiros da Escandinávia geralmente vivem no anonimato. Preferem não contar nem para as namoradas(os) sobre o que fazem. Essa paranóia surgiu devido à maioria dos países da região possuir departamentos de polícia responsáveis pela coibição do graffiti. A polícia chega a invadir as contas de facebook para descobrir se você é um grafiteiro.

Como correspondente da SOUL ART, decidi tentar entrevistar alguns desses artistas anônimos. Por indicação, me disseram que poderia encontrá-los na manhã seguinte à exposição, pois estariam pintando um dos poucos muros legalizados em Copenhague. Se é que pode ser chamado de muro. Na verdade, é apenas madeira cobrindo as obras do metrô. Mas foi o único jeito de o governo ceder um espaço legalizado, e foi lá que os encontrei.

 

Os Grafiteiros na Escandinávia é uma série de quatro reportagens,  que apresentará os grafiteiros anônimos das terras geladas da Europa. Fique ligado!

 

Texto e fotos por Sissel Dargis
Tradução por Andre Vicentini

Desde criança queria ser índia e morar na floresta, mas nasceu nas terras nativas dos vikings. Se cansou de passar frio e foi morar na Rocinha com alguns irmãos onde descobriu os segredos do funk. O tempo passou, e com ele, o dinheiro foi junto. Foi à São Paulo para trabalhar em uma empresa de marketing e fundraising. Enquanto isso, a lata de spray e a fotografia tomava conta do coração de Sissel, que então, voltou à Copenhague para estudar cinema e mídias. Atualmente trabalha em uma produtora de documentários.

1 Comentário para "Os grafiteiros da Escandinávia"

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