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Um dos grupos mais antigos de teatro de bonecos do Brasil apresenta a instalação “Gira De Novo” do dia 14 a 25 de fevereiro, festival é gratuito

CURA – Circuito Urbano de Arte – Montagem Instalação Giramundo – Foto: Lucas Bahia

Realizado pelo festival CURA – Circuito Urbano de Arte, a partir de 14 de fevereiro (segunda-feira), a Praça Raul Soares dá vida ao novo trabalho do Giramundo, grupo cinquentenário, um dos mais antigos teatros de bonecos do Brasil. A instralação vem sendo desenvolvida há quase sete meses. Ela traz os ciclos do universo e do tempo, os movimentos do sol e as fases da vida humana como símbolo de recomeço, inspiração que vem do círculo do cosmograma Bakongo, conhecimento trazido ao país pelo antropólogo congolês Bunsenki Fu-Kiau.

O círculo é dividido em quatro quadrantes — Musoni (concepção), Kala (nascimento), Tukula (crescimento e amadurecimento) e Luvemba (envelhecimento) — e cada um desses pontos é um erê/nvunji/criança, entendido como a representação dos primeiros passos, do começo, um paralelo aos passos que teremos que reaprender a dar com a volta às ruas, à vida cotidiana.

CURA – Circuito Urbano de Arte – Montagem Instalação Giramundo – Foto: Cadu Passos

O grupo, que completou meio século de existência em meio a uma pandemia, se viu pensando nos recomeços e desejos por reencontrar a rua. “Entendemos que são processos, que a roda segue girando, que os ciclos continuam, assim como o sol se apaga e acende de novo, assim como nascem crianças todos os dias”. Todos estavam em um momento de pesquisa para um filme quando veio convite do principal festival de arte urbana do país. “Temos estudado a fundo o Brasil, em especial os povos bantu, principalmente os de Congo e Angola e esse cosmograma é uma sabedoria que tem nos encantado muito. Sabedoria de um povo que é responsável por muito do que hoje conhecemos como cultura brasileira. E essa pesquisa foi superacolhida pelo CURA, veio ao encontro do que já vinha sendo desejado para a praça”, divulgou o grupo.

O Giramundo possui uma das mais bonitas trajetórias de dedicação às artes. O grupo já deu vida a cerca de 1.500 bonecos com as mais variadas técnicas de construção de marionetes, se apresentando pelo Brasil e por 11 outros países, entre espetáculos infantis e adultos; mantém também um museu, uma escola e atelier de artes e ofícios. “Giramundo é sinônimo de tradição e reinvenção: conserva as origens sem perder o ímpeto criativo e de experimentação. É um bocado deste legado que vem chegando para fazer parte da galeria do CURA” conta Priscila Amoni, idealizadora e curadora do festival ao lado de Janaína Macruz e Juliana Flores.

CURA – Circuito Urbano de Arte – Montagem Instalação Giramundo – Foto: Lucas Bahia

“Passar por 50 anos é saber se reinventar, nosso verdadeiro trunfo é esse. Pode ser cinema, animação, teatro de bonecos, pintura, escultura, instalação. É esta lida com o tempo que vai se aperfeiçoando, a gente vai aprendendo onde colocar, onde recolocar. Viajamos pelo mundo todo, mergulhamos em pesquisa, demos muita oficina, trocamos muito com o público, estivemos sempre nas ruas, com arte gratuita para as pessoas. Isso fortifica energicamente o grupo, é muito disso que nos trouxe até aqui. Estar no CURA, um festival jovem, urbano e pulsante, tem muito a ver com o Giramundo que completou 50 anos. Porque a gente tem pensado muito em como voltar a ocupar a rua. Além de sermos um grupo que nasceu na rua, com a GIRA DE NOVO, na Raulzona, fazemos também nosso retorno às instalações urbanas. A GIRA DE NOVO é também um recomeço, um reinventar, para o Giramundo e para BH” destaca o grupo.

Esse encontro CURA e Giramundo representa também um desejo comum de retomada da cultura, de recomeços e curas. O grupo conta que, “nos últimos 2 anos, passamos momentos difíceis com governo, de diálogo difícil com o Estado, um sufoco de quase fecharmos as portas. Iniciativas como as do CURA e Giramundo são capazes de fortalecer a cultura da cidade, são uma reinvenção neste sentido, fazem a engrenagem girar. E é por isso que a gente vai continuar girando, de novo, de novo e de novo.”

GIRA DE NOVO estará instalada na Praça Raul Soares durante todo o festival, a visitação pode ser feita em qualquer horário.

CURA – Circuito Urbano de Arte – Montagem da Instalação do Giramundo – Foto: Lucas Bahia

Sobre CURA Fevereiro 2022

A 6ª edição do CURA – Circuito Urbano de Arte teve início junto com a primavera e segue em movimento. Desde então, a Praça Raul Soares tornou-se o mais novo museu a céu aberto da capital mineira e, como algo vivo que é, se multiplica. Em 2022, a “coleção Raulzona” segue crescendo. De 14 a 25 de fevereiro, obras inéditas de Mag Magrela, artista selecionada pela convocatória Beck’s em 2021, e o cinquentenário Grupo Giramundo se somam à galeria do CURA, para serem apreciadas de forma democrática e gratuita.

“Em 2021, o CURA concebeu um festival-ritual para irradiar a partir da praça, um novo ambiente de imersão em arte pública. Foi lindo ver o encanto acontecer desde o momento em que convidamos geral para ver o que sempre esteve entre nós: uma Raulzona de cultura marajoara viva em grafismos e em espírito presente, praça cheia de história e vivências, com sua fonte central com contornos da Chakana peruana, de conexões transamazônicas, encontro de povos e culturas latino-americanas” fala Priscila Amoni.

A partir de 17 de fevereiro (quinta-feira), a multiartista Mag Magrela (ela é desenhista, grafiteira, pintora, escultora, cantora…) e uma das referências nacionais na cena contemporânea de arte urbana traz suas formas femininas singulares e já tão reconhecidas no graffiti para falar sobre passado, resiliência, sobre passar por tempos difíceis, sobre cura.

“2021 foi cheio de desafios para a realização do CURA. As entregas ganharam outros significados diante dos impasses vividos pela cultura no país, especialmente com a atuação em âmbito federal no sentido de enfraquecer (por vezes, boicotar) o setor cultural, atrasando processos, autorizações, homologações, liberações de recursos, etc., desidratando a cadeia produtiva da cultura. Sentimos ainda mais orgulho e alegria por tudo que foi apresentado e compartilhado até agora” explica Juliana Flores. “Nossa cidade é nossa galeria de arte pública e nos lembra de que, quando a gente se apropria do espaço urbano, constrói também um sentido de pertencimento, faz dele nosso também, é capaz de transformá-lo”, completa.

2022 é o ano da cura, do recomeço, dos reencontros, da retomada da cultura.

 

Sobre o Cura

O Circuito Urbano de Arte realizou sua quinta edição em 2020, completando 18 obras de arte em fachadas e empenas, sendo 14 na região do hipercentro da capital mineira e quatro na região da Lagoinha, formando, assim, a maior coleção de arte mural em grande escala já feita por um único festival brasileiro.

Idealizado por Janaina Macruz, Juliana Flores e Priscila Amoni, o CURA também presenteou BH com o primeiro e, até então, único Mirante de Arte Urbana do mundo na Rua Sapucaí.

 

Serviço

CURA – Circuito Urbano de Arte, 6ª edição – 2ª etapa

Data: 14 a 25 de fevereiro

Local: Praça Raul Soares

https://www.instagram.com/cura.art

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