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O cara nasce numa cidadezinha da Califórnia chamada Concord, no ano de 77. Cresce ouvindo lendas locais e o que o povo lhe conta de um passado louco:  política, esportes, drogas, assassinos e todo tipo história que vai alimentando o imaginário do jovem. Lá pelos 21 anos decide ir embora de sua terra para deslizar pelos Estados Unidos. De cidade em cidade vai morando em carros e vivendo de bicos; trabalha como motorista de caminhão, projetista num cinema, faxineiro, atendente de lanchonete, em livraria, e até na construção civil. Durante o período, vai conhecendo pessoas as quais se tornam personagens em suas composições musicais em Nova York, onde desenvolve mais seu talento.  Acaba ficando sem grana e com o atentado do 11 de Setembro volta para a Califórnia, agora, para se dedicar à música e assinar com uma gravadora. Esse é Cass McCombs.

Do momento de sua volta às origens até hoje, McCombs gravou um E.P e seis álbuns. Sua música flui por diversas vertentes. É inegável a influência de grandes trovadores como Bob Dylan e Leonard Cohen, resvalando em Nick Drake e Elliot Smith, mesmo que ele somente admita influência dos Beatles e música regional americana, especialmente o folk. Mas, de qualquer maneira, ao ouvir suas músicas, seria muita pretensão encaixá-lo em qualquer estilo. É um músico moderno que faz tudo ao seu modo, principalmente em suas letras que trazem as experiências das pessoas que conheceu, dos personagens que criou, mescladas com a incerteza do que pode ser pessoal e o que foi talentosamente inventado. Coisa que ele prefere manter em segredo.

De suas letras, pessoais ou não, podemos extrair frases como: “Eu sou classe média até o dia que eu morrer” (Lionkiller); “Eu passo meus dias apertando as mãos, esquecendo nomes, reciclando latas: um comediante” (A comedian is someone who tells jokes); “Esqueça o passado doloroso, deixe de lado tudo o que entender, esta é a última vez que eu vou pedir para me encontrar aqui de madrugada” (Meet me here at dawn); “Então, eu tenho um trabalho limpando banheiros numa boate em Baltimore e eu acho que é isso, quase menor do que um sonho e definitivamente de menos reputação.” (That’s that); “E não é deste mundo podre que gosta de ver a beleza sofrer?” (Prima Donna). “Avaliando os candidatos no primeiro dia de eleição, você pensou: Tenho 18 anos e não tenho opinião alguma” (Don’t vote); “Minha irmã, minha esposa, você está queimando em ambas as extremidades. Eu disse: ‘Há um incêndio na montanha?’ Você respondeu: ‘Bem, isso tudo depende’” (My sister, my spouse); “Eu esmaguei meu braço e minha perna na descida do rochedo mas quando eu subi das profundezas, e quase morto, que mundo amigável eu encontrei!” (Harmonia); “Nada em comum; Nosso sangue, mais grosso do que um caldo. Estamos cortados de lados diferentes do mesmo tecido.Nosso amor à luz do sol, a nossa dor à tarde não têm nada em comum, mas ambos são a mesma coisa” (The same thing).

 

Cass McCombs – Dreams ComeTrue Girl

Entre letras de uma crua realidade até de momentos dignos de delírio, suas letras demonstram uma força pouco comum no mundo da música. Mas Cass McCombs é um compositor em evolução, difícil saber onde pode chegar neste mundo de solidão, desilusões amorosas, lembranças, culpa, violência, ironia e muita melodia que ele vem cantando e mostrando ao seu público crescente, que vai descobrindo uma peça rara nessa engrenagem que roda com dificuldade que é a indústria musical.

Entre idas e vindas, McCombs sabe que o enriquece é a experiência e ele sabe buscar isso no intercâmbio com o mundo. Talvez um homem que não pertença a lugar algum, como afirma que, em sua lápide haverá a inscrição “Finalmente em casa”. Este o espírito do cara.

 

Site: cassmccombs.com

 

Cass McCombs – County Line

 

Discografia:

A (2003)

 

PREfection (2005)

 

Dropping the Writ (2007)

 

Catacombs (2009)

 

Wit’s End (2011)

 

 

Humor Risk (2011)

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