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Com o distanciamento social, os artistas precisaram se reinventar para continuarem com a produção musical ativa

 Neste artigo vamos refletir sobre a situação da produção musical em meio à pandemia de Covid-19. Este artigo foi escrito em parceria com Yan Heiji.

produção musical

Foto de Clarissa Brait

Em 2019, vimos o surgimento da Covid-19 na China. O Sars-Cov-2, mais conhecido como “coronavírus”, era inicialmente visto apenas como um “surto interno”, não trazendo grandes preocupações para o resto do mundo.

Porém, em janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) o categorizou como uma situação de emergência de saúde pública que rapidamente se transformou em pandemia de importância internacional.

O Brasil não decretou lockdown, mas mesmo o distanciamento social fez com que a indústria musical se reinventasse: shows foram cancelados, cantores e compositores precisaram modificar o seu processo da criação, composição e produção musical de forma isolada, sem poder se reunir com outras pessoas ou poder ir aos estúdios para gravar álbuns, músicas e videoclipes.

Produção musical foi para dentro das casas

Por conta da necessidade de viver uma nova rotina dentro de casa, as agendas foram afetadas, adiando o lançamento de muitos álbuns ao longo do ano passado. Alguns artistas tiveram dificuldade de trabalhar em uma nova produção musical, também.

Entretanto, outros continuaram lançando clipes de suas obras e passaram a fazer apresentações na internet, como é o caso de Billie Eilish, uma das cantoras que mais lançou músicas, clipes e elaborou lives enormes durante esse período, tudo com a ajuda do irmão, que também é seu parceiro musical.

Em abril de 2020, a cantora Fiona Apple, famosa por “The Idler Wheel…” de 2012, lançou um disco que foi gravado inteiramente em sua residência, colocando alguns elementos de onde mora em cada canção, como os próprios latidos dos seus cachorros.

Taylor Swift se reinventa e explora ritmos que havia deixado para trás

Ao longo do período de quarentena, a compositora Taylor Swift também aproveitou para dar uma “refrescada” e focar em um trabalho inovador, lançando o seu novo álbum conceitual “Folklore”.

O disco está voltado para um estilo diferente do pop (que se fazia presente em suas músicas), o indie folk. Ele também foi produzido pelo guitarrista da banda The National, Aaron Dessner, além de ganhar as estéticas sonoras da guitarra de Jack Antonoff, cada um gravando em um canto dos Estados Unidos e conectados pela internet.

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Ex-Beatle na produção musical do começo ao fim

O ex-Beatle Paul McCartney foi mais um talentoso que ficou inspirado pelos tempos difíceis, produzindo o “McCartney III” como parte da trilogia de álbuns solo de 1970 e 1980. O novo teve inspiração no “rockdown”, uma referência ao lockdown mundial.

Paul compôs, produziu a obra, gravou sua voz e tocou todos os instrumentos sozinho. O novo álbum do músico inglês foi lançado no dia 18 de dezembro de 2020, contendo onze faixas ao todo. Além disso, no mesmo dia ocorreu a estreia do clipe do single “Find My Way”. Nele, é mostrado toda sua produção musical, como o compositor fez para tocar todos os instrumentos e outros detalhes dessa jornada.

O processo de produção musical de Clarice Falcão

Enquanto isso, em outubro de 2020 no curso de Música no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, aconteceu uma palestra remota com a cantora e compositora Clarice Falcão. Durante essa conversa, a convidada explicou aos alunos como foi a experiência no desenvolvimento de seu EP lançado durante a pandemia.

Para quem não conhece, o EP ou “extended play”, também conhecido como “formato estendido”, é um lançamento musical mais longo que um single (geralmente possuindo uma ou duas músicas), mas simultaneamente mais curto que um “long play”, o formato dos álbuns comuns que costumam ter dez ou mais músicas.

De acordo com Clarice, foi uma experiência diferente ao não gravar em um estúdio, trazendo a oportunidade de produzir no chão de sua sala de uma forma mais confortável que o normal.

Além disso, afirmou que passou a entender como nem todo dia é exatamente produtivo: em alguns, podem acontecer bloqueios criativos, enquanto outros dias poderão trazer músicas ruins. No final das contas, reforça a artista, tudo faz parte da produção musical.

Apesar de alguns artistas terem conseguido trabalhar em obras novas, outros tiveram seu processo criativo fortemente afetado por conta da quarentena, causando uma dificuldade de compor músicas novas e o desânimo de fazer até as famosas lives que viraram febre no ano passado.

A criatividade durante um período de dificuldades

A pandemia fez as pessoas se privarem de experiências que serviam de inspiração para seus trabalhos que exigem muita criatividade. Em entrevista ao UOL, o neurocientista e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Álvaro Machado Dias, comentou que existem algumas naturezas da criatividade: aquela que é vista como a habilidade de criar algo, a de encontrar novas aplicações e a criatividade para soluções de problemas.

Essas naturezas se encontram em dois paralelos, o da inovação disruptiva e o da inovação contínua.

A primeira relaciona-se com as mentes solitárias, aquelas que possuem a capacidade de criar novas soluções sem interação com outros. Já a segunda, refere-se aos processos compartilhados, onde aqueles que pensam melhor em grupos tiveram seus trabalhos criativos cada vez mais afetados durante a quarentena.

O processo de criatividade se dá como um esforço, uma forma de colher suas experiências e transformá-las em ideias novas como uma oportunidade de exercitar a mente. Porém, os reflexos do isolamento e o desconhecimento sobre a doença, naquela altura, trouxeram agravantes como angústias, medos, inseguranças e diversos outros problemas de relacionamentos sociais.

Todos esses problemas, além das conexões sociais fragilizadas, colaboraram para tornar mais difícil a evolução do processo criativo nesse período.

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Grandes artistas comentam dificuldade em compor no isolamento

Em outubro de 2020, o cantor, compositor e ator Almir Sater participou de uma entrevista do projeto “BA Em Cena” do Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, criado pelos professores Guilherme Bryan e Pedro Ortiz.

Em certo momento da entrevista pelo Zoom, o ator comentou que estava difícil compor novas músicas durante esse período, além de que pessoalmente não sentia nenhuma vontade de produzir conteúdos para publicar em redes sociais.

Já mais para frente, em abril de 2021, o popular cantor e compositor britânico radicado no Brasil Richard David Court – mais conhecido pelo nome artístico, “Ritchie” – seria outro convidado do programa.

Lá, os alunos tiveram a oportunidade de perguntar a ele suas maiores dificuldades durante esse período, e ele respondeu que a pandemia foi problemática por duas principais razões: tanto seus equipamentos quanto sua banda ficaram para trás em São Paulo, já que ele voltou para o Rio de Janeiro logo após o início da crise.

Pensamos que isso ia acabar em duas ou três semanas, que [a pandemia] não era nada. E agora, [que faz] um ano e três meses, eu ainda não fui buscar nada.” – Ritchie

Ritchie tinha planos para fazer shows e turnês, inclusive em território paulistano, ao longo de 2020; porém, agora, ele diz que se encontra “ilhado” sem sua equipe e instrumentos, optando por explorar novas tarefas e hobbies. “Eu até aproveitei esse período para estudar mágica, acreditem se quiser”.

O autor de sucessos dos anos 1980, como “Menina Veneno”, “A Vida Tem Dessas Coisas” e “Voo de Coração” disse que passou a se interessar pelas transmissões ao vivo quando suas músicas explodiram em 2018, através da popularização dos covers da novela “As Aventuras de Poliana”, do SBT.

Segundo ele, as visualizações do seu canal do Youtube chegaram a quadruplicar na época, alcançando cerca de um milhão de acessos mensais em suas músicas.

Também conversando conosco, o poeta e cantor Antonio Arantes também comentou sobre sua perspectiva própria. Segundo ele, o papel de um escritor e poeta é o de transferir o estado de alma do seu eu-lírico à narrativa, não permitindo que os sentimentos do próprio autor sangrem na obra, pois isso a desfocaria. Mesmo assim, ele admite que tem dificuldade:

O processo criativo, tanto de música quanto de poesia, é influenciado pelo entorno. Tem muitas coisas do cotidiano, sejam conversas banais ou aulas interessantes, algo legal que você vê acontecer na rua… essas coisas passam por um filtro autoral e vão se tornar material, um conteúdo ou assunto para se escrever. Como o dia a dia foi afetado pela pandemia, essa parte [da escrita criativa] foi também.” – Antonio Arantes

Transmissões ao vivo como resposta à proibição de shows

A cantora e compositora Nina Camillo também aceitou ser entrevistada para contar um pouco de sua história, e mostrou que esse processo de adaptação não foi fácil para alguns profissionais.

Segundo ela, muitos compositores não se preocupavam em produzir tudo de uma vez: um tempo livre em casa, na faculdade ou na rua servia para a composição, que então era refinada com uma melodia no estúdio, junto da equipe.

O nosso dia a dia é cheio de rituais: você vai pra faculdade, passa um batom, fica bonitinha e vai pro bar. Aí, chegando em casa, você despejava toda essa carga numa música. Agora, eu fico o dia inteiro de pijama e não via nada, inspiração zero.” – Nina Camillo

A situação também ficou um pouco desfavorável para quem não tem condição de investir num home studio, mais uma das tendências que andam sendo adotadas pelos artistas. “Eu já tinha montado um mundinho com gente alternativa [estudando na faculdade], e do nada parece que tudo caiu por terra”.

Melodia, letra, harmonia, era tudo meio junto pra mim. E agora, todas essas coisas tão se quebrando em pedacinhos, e eu sinto que tô mudando o jeito que crio porque essa forma que escrevo desde os 14 anos desmoronou com a pandemia.” – Nina Camillo

Ela admite que se sentiu muito nervosa quando foi fazer sua primeira live com a escola Cor e Voz, mas que rapidamente se ajustou. Alugou um piano, colocou alguns enfeites e pendurou luzes de Natal, de um jeito improvisado, mas aconchegante.

Mesmo assim, sem conseguir monetizar as transmissões, diz que só busca o digital para se reconectar com as pessoas e o mundo que faz tanta falta, com a esperança de voltar aos palcos e fazer shows “tendo aquela energia de olhar para o público, olho no olho”.

Sabe essas coisas mais ínfimas, tipo sair do metrô Vila Mariana e ver um grafite ou um adesivo com uma frase legal no poste? Eu tirava um monte de fotos disso, e de repente [passei a] ficar trancada lá em casa. E fiquei muito bloqueada com isso”. – Nina Camillo

Roberta Campos, cantora e compositora brasileira de Caetanópolis, Minas Gerais, é outro exemplo de quem conseguiu enxergar um lado positivo. Seus primeiros meses foram difíceis, alguns deles sem compor nada.

“Tava tudo parado, shows sendo cancelados”, diz ela. Porém, eventualmente se lembrou do porquê fazia tudo isso: desde sua infância, a música era o que a ajudava a ser tão forte e resiliente.

 

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Então, a solução óbvia era de voltar a compor, estabelecendo novas parcerias e até lançando uma música que descreve seus momentos mais importantes nesse período, com o single “Tô Aqui”.

Inclusive, essa situação acabou virando um videoclipe 360º da música, onde as cantoras Roberta e Tiê podem ser vistas no mesmo estúdio, cada uma de um lado da câmera.

Foi com essa mesma determinação que Roberta praticamente não deixou suas produções serem alteradas durante a pandemia, lançando alguns discos e mais EPs ao longo de 2020 que incluíram muitas gravações individuais no estúdio, posteriormente editadas e “coladas” pela produção.

Mesmo que a gente tenha que fazer tudo de forma separada e mais solitária, a música tem uma energia tão incrível que a intensidade e o sentimento continua ali”. –  Roberta Campos

Quando perguntada sobre os efeitos positivos da música e seus efeitos terapêuticos – uma prática comumente chamada de musicoterapia – a compositora disse: “a música sempre me salvou, e eu tenho certeza que pode ajudar qualquer pessoa”.

Ela trouxe um exemplo de uma de suas fãs, que assistia às aulas que Roberta passou a lecionar por cursos online, e que deu um relato sobre seu filho autista. “Ela me dizia que o filho se conectava com ela através de um mundo diferente, através da música”. O filho, que adorava a música “Janeiro a Janeiro”, fez a mãe comprar um violão, mesmo não sabendo tocar, só pra aprender a se comunicar com o filho dessa forma.

Não importa se é diarista ou um executivo, se é jovem ou idoso: nós nunca estivemos tão ansiosos como agora e acredito que todos podem ter uma rotina mais feliz ao colocar mais música no seu dia a dia. […] Isso mostra o poder e a magia que a música traz, como se fosse um remédio”. – Roberta Campos

Como conclusão, nenhum artista passou por um período tão complexo e reagiu da mesma forma, única e padronizada, quanto o resto. Para alguns, a pandemia foi um enorme empecilho que trouxe diversas novas dificuldades e barreiras sociais, enquanto para outros esse foi um momento de reinvenção, ressignificação e redescoberta de si mesmos e de suas próprias artes.

No entanto, uma afirmação sim é incerta: no fim das contas, nenhum de nós sabe realmente como isso vai afetar o futuro, se tudo irá mudar ou se tudo continuará como era antes. Resta-nos aguardar pelo inevitável e estar preparados para continuar unidos, custe o que custar.

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