Achilles Krüger
O gaúcho Achilles Krüger é artista plástico, ilustrador, designer gráfico e grafiteiro, além de trabalhar para algumas agências de propaganda. Desde criança a arte sempre esteve presente em sua vida. Além de ter uma mãe que fazia cursos de pintura, ficava fascinado enquanto sua tia estudava artes plásticas e podia se divertir com os materiais dela.

No colégio os desenhos eram fortes competidores com o restante da matéria nos cadernos. Nessa época sua mãe fazia questão de apoiar sua mente criativa, pagando cursos de desenho à distância e livros de pintura como incentivo. Mais tarde, seu material inspiracional passou a ser capas de discos, revistas de graffiti e camisetas de bandas.

Toda essa paixão pela arte o levou a estudar História da Arte na faculdade, e hoje, além de expor seus quadros em diversos estabelecimentos de Porto Alegre, também atua em seu próprio estúdio, o Poli, que tem como missão levar arte para todos os lugares, seja sua casa, às ruas ou seu escritório, desenvolvendo curadorias e trabalhos autorais de arte para comercialização.

Confira a entrevista que a SOUL ART fez com o artista que fala sobre sua essência, Renúncia, sua última série, viver de arte e o mercado artístico em Porto Alegre.

SOUL ART: Você define algum estilo específico para o seu trabalho? Qual é? Que tipo de sentimento você deseja despertar nas pessoas?
Achilles: Já desenvolvi séries com estilos diferentes e não gosto de me apegar a um único estilo. Sempre dei muito mais valor ao resultado do trabalho. Pra mim é mais relevante que seja verdadeiro, que venha do âmago do artista, do que uma pintura técnica e engessada com a simples função decorativa.

Gosto e desenvolvo meus trabalhos geralmente em séries, pois acredito que assim ele é melhor compreendido e ganha força, tendo uma unidade na identidade visual. E cada série vai se desenvolvendo com o sentimento daquela época da minha vida, do momento que estou vivendo. Esse sentimento é algo que eu nem saberia descrever. Mais forte do que um sentimento que desejo despertar nas pessoas, é como se algo tivesse que sair de mim, que muitas vezes não compreendo, mas externo em forma de pintura.

Essa última série, Renúncia, fluiu de forma mais leve. Meus pensamentos estavam mais leves, comecei a trabalhar com todas as cores sem distinção e abrindo as possibilidades de fazer algo novo. O nome da série inclusive vem justamente do fato de eu ter me forçado a renunciar e a não repetir características com as quais já havia trabalhado nas outras séries. O resultado foi uma série super colorida, misturando formas geométricas com acabamento quase vetorial e elementos personificados.

SOUL ART: Você sempre trabalhou com arte? O que fazia antes? Quando a arte passou a ter um papel importante na sua vida? O que te deu a certeza de que essa seria sua profissão?
Achilles: Já trabalhei como vendedor em feira e em loja multimarcas buscando ganhar algum dinheiro na adolescência.
Mas a pouca grana que ganhava desses primeiros empregos eu gastava toda em cursos de animação, materiais de pintura e revistas de graffiti. Paralelo ao emprego de vendedor pintava camisetas pra vender – isso aos 16 anos de idade.

Eu forçava a barra pra trabalhar com isso. Baixei os softwares de edição de imagem e já criava minhas ilustrações nessa época, virava as noites “brincando” de criação. Foi decisivo pra eu escolher estudar publicidade e futuramente trabalhar com Direção de Arte.
A certeza veio trabalhando de fato. A cada arte feita é uma satisfação muito grande, se tem retorno financeiro então é alegria total!

SOUL ART: Você acredita que é possível viver unicamente de arte? O que é preciso para fazê-lo?
Achilles: Eu acredito e tento me espelhar nesses casos. Vejo várias pessoas, vários amigos e conhecidos que vivem exclusivamente de arte e o caminho é o mesmo em todos os casos. A gente sabe que qualquer produção artística demanda tempo, ninguém constrói uma obra ou uma carreira artística do dia pra noite.

É necessário abdicar do tempo de outras atividades e se dedicar exclusivamente a arte, custe o que custar. Trabalhar com arte é explorar diversas técnicas pra expressar um sentimento, criar uma linguagem visual, deixar fluir. Outro fator importante é direcionar a comunicação para onde se tem retorno financeiro. Você pode passar a vida trabalhando com arte sem ganhar nenhum dinheiro. Então esteja atento onde estão as demandas pelo seu trabalho e divulgue-o!

SOUL ART: Como é o cenário da arte em Porto Alegre?
Achilles: É complicado falar sobre isso… A cena por parte dos artistas é muito forte. Muita gente produzindo bons trabalhos e muitas empresas se propondo a trabalhar com arte. O grande problema é a exposição e comercialização dos trabalhos. Estão cada vez mais escassas as galerias contemporâneas que dão abertura a artistas novos e sem formação acadêmica. Tem muito artista fazendo exposição em bares e casas onde a arte não é o foco e que nem é frequentada por compradores de arte. O que em minha opinião é muito talento e trabalho desvalorizado.

Com isso, há uma fuga dos nossos artistas para o centro do país à procura de reconhecimento e oportunidades.
Vejo Porto Alegre como formadora e polo exportador de artistas, mas que ainda supervaloriza os artistas de fora e não dá o devido valor aos locais.

SOUL ART: Acredita que a arte pode modificar a vida das pessoas? De que forma? Como ela te transformou?
Achilles: Eu acredito que a arte pode trazer uma nova visão a uma pessoa, uma nova forma de pensar e de perceber as coisas. Mas não é tão simples assim, cada pessoa deve tomar atitudes pra mudar a própria vida. No meu caso, não posso dizer que a arte me transformou em algo diferente do que eu era, mas que sempre fez parte da minha formação e desenvolvimento pessoal.

Conheça os trabalhos de sua série Renúncia:

Renúncia_01

Renúncia_02

Renúncia_03

Renúncia_04

Renúncia_05

Renúncia_06

Renúncia_07

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