Sinestesia – Disco começa pela capa: Storm, o mudo

Quando uma banda encontra uma ideia centralizadora em sua música e sua mensagem, a possibilidade de se fazer algo medíocre é praticamente nula. Quando essa ideia é a loucura, melhor ainda. The Mars Volta é uma das minhas bandas favoritas, Frances the Mute é meu disco favorito deles, e encontrar artistas que se encaixam tão bem à sua música depende simplesmente de um item: conceito.

Assim como todos os discos da banda, Frances the Mute é grandioso e cheio de histórias. Foi muita gente gravando. Pedaços de improvisos de shows foram incorporados a diversas músicas. Omar Rodriguez-Lopez – guitarrista da banda que tem um trabalho solo genial que ainda falarei aqui – escreveu e compôs todas as músicas antes de apresentá-las à banda. Letras essas que surgiram de um diário encontrado no banco de um carro. E Storm Thorgerson se responsabiliza por nos mostrar em imagens caóticas e densas o que tudo isso significa.

Pra quem tem pelo menos um pouco de curiosidade por capas, sabe que esse nome é consagrado. Storm assinou na sua carreira capas desde Led Zeppelin e Pink Floyd (pelas quais é mais conhecido) até Muse e Audioslave. E nesse meio tem muitos outros artistas. O trabalho de Storm é bem surreal, mas ao mesmo tempo é muito real. Sua direção de arte é perfeita, simplesmente transporta você para um universo. A loucura presente em seu trabalho é responsável por dar forma à obra do Mars Volta. O carro onde foi encontrado o diário, a mudez, o caos mencionado nas letras: tudo isso aos poucos vai se desvendando em pequenos detalhes. Mas são pequenos detalhes, daqueles que estão ali com o único pretexto de se vincularem ao conceito. O resto é loucura. Da mais fina possível. Essa é a vantagem de conceituar qualquer trabalho artístico: a brisa fica muito mais madura. O trabalho de Storm não simplesmente dispensa palavras. Ele as ignora.

Essas são outras partes do encarte do disco.

Se quer saber mais sobre o trabalho do gênio, tá na mão.

Frances the Mute é um disco completo em todos os aspectos que um disco pode ser. Além de tudo, tem participações do Flea e do Frusciante. Ambos epicamente fodas.

Quer mais? Ouve toda a discografia. Mas começa pelo Frances.

Eduardo Ribeiro é designer gráfico, comunicador e gestor cultural independente. Com 6 anos de idade pedia pra irmã colocar o Kill 'Em All do Metallica e o resto da história vocês podem imaginar. Atualmente escreve a coluna "Sinestesia - Disco começa pela capa" aqui no Soul Art e atua como diretor de arte da banda Marco Nalesso e A Fundação e do Coletivo Marte e nunca se afasta da música simplesmente porque é impossível.

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