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Conto: Robson Alkmim | Ilustração: Filipe Rocha

O banheiro escolar iluminado pela indiferença solar da manhã. Ideias moscam ao redor da cabeça da menina Clarice. A entrega à vigília dos olhos úmidos. Delicada pele negra negada. O espelho possui o corpo distorcido e impróprio. Persona não reconhecível. Reflexo da herança desafiada. Torpor da existência ressentida.

Lembranças presas com alfinetes. Escola da discórdia irreversível. Crianças despejam grossos escárnios. Risadas ecoam azedas. Mãos se agitam em apontamentos nela menina. O limite ferido. O preconceito vestido de gala infantil. Questão sem solução transparente. A inexperiência nos poros. A surpreendente manobra de fuga: um braço, um rosto, um chão. O choro que a acusa. A punição ungida de sangue.

Em casa, as relações cortadas sobre a mesa. O sombrio pai inexistente. Pai? Nada; A desconectada mãe real. Mãe? Nada igual. O hoje como sempre ontem. Palavras que faltam ao compromisso. Atenção varrida sob o tapete. Dá uma tristeza oca. Pássaro sem ninho. A distância interminável da proximidade.

A solidão ecoa. O medo esperneia. A revolta engasga.

No quartinho, detalhes misturados à sua perturbação: As puras paredes rosáceas. A cama de pelúcias cheias. O quadro campal de cores opacas. A janela dos olhares curiosos. Os cadernos das linhas retas. A mochila do rasgo agudo. O televisor preceptor dos amorais.

Numa prateleira alta e exibida: A presença inexpugnável das bonecas loiras caricatas. A beleza petrificada dos sonhos. O desejo incontido de imitar purezas aceitáveis. Formas adultas afiladas daquilo que ela nunca será. Um símbolo de poder feminino privilegiado e vazio.

Bem ali, baixinho, o oposto: O rosto escuro marcado por traços diversificados; Fios de cabelo sem direção; boca recheada de beiço arredondado; narinas abertas como cavernas inexploradas. A distinção limitada. A rejeição escrita no atestado de nascimento. A minoria estatística. A maioria não-declarada. Um depósito de históricas humilhações. A animália pecaminosa, sem alma; mistura indigesta, religiosamente regurgitada num país primevo. A cota da cota da cota. Por quê?

Uma vertigem.

Uma escuridão.

Um soluço.

Uma chuva.

Uma estrada.

Uma viagem.

Um túnel.

Uma saída.

Uma revelação.

Uma decisão.

Uma reviravolta.

O pulso ferido descasca. A perna retorcida ginga. A fúria tem marca nos dentes. A espécie em extinção. O resgate da luta. A forra inevitável. O silêncio esvaziado. O gemido incontido.

Clarice escala a cama. Apanha cheia de dedos a sua mais alva boneca. Desce pesada sobre as canelas finas. Sacode retratação e respeito. O ícone lhe queima errático na mão; Tudo nele é mais bonito? Nega, nega, nega. Teve-lhe amor; sobrou-lhe desprezo. Busca ao redor uma ferramenta calculada. Precisa dividir o destino sem poréns. Única, singular, ímpar. Ser! Sua cor cintila beleza incomum.

Uma tesoura escondida sob um papel azul. Tudo tem seu fim bem finalizado. Clarice não se modelaria ao plástico que acusavam de ser mais bonito do que ela carnal. Desaceitaria brincadeiras metamorfoseadas em agressão; não mais. Conhecia amores pessoais diversos por ela, suficientes como água no oceano.

Desfez-se daquela matriz ilusória cortando-lhe o pescoço. A cabeça dourada rolou desnecessária.

 

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