Se alguém me perguntar quais foram os R$ 5,00 mais bem gastos do ano de 2010, eu respondo: a meia-entrada para a apresentação da banda Hurtmold que aconteceu no auditório do Museu da Imagem e do Som, neste sábado, 06 de março de 2010.
Ao lado do Coletivo Instituto, Ratos de Porão e Nação Zumbi, na minha opinião, Hurtmold é uma das melhores bandas existentes no Brasil. Do mais puro experimentalismo instrumental, um post-rock da melhor qualidade com notáveis influências de jazz.
Segue abaixo um registro de duas músicas dessa apresentação.
Hurtmold – Live at MIS
“Mais uma vez desanimou”, do quarto álbum: Cozido, lançado em 2002
“Sabo”, do mais recente trabalho: Hurtmold, lançado em 2007
Na próxima quinta-feira, 10 de dezembro de 2009. Vai rolar a abertura da exposição fotográfica Retalhos – custurando no tempo. Com imagens dos fotógrafos Claudio Takahashi, Ilana Bar, Mariana Harder, Sérgio Mascarenhas, Talita Rennó e Vinícius Juan; a exposição vai até o dia 19/12, das 9h as 12h e das 14h as 18h no Cine Galpão. (Endereço: Rua Scipião, 138 – Lapa.)
Além da exposição, a abertura do evento vai ter a participação da banda de música experimental Marco Nalesso & Big Bang Band, e as apresentações de Naila Pomme e Sara Mello.
Marco Nalesso & Big Bang Band é um projeto experimental formado em março de 2007 na cidade de Santo André (ABC Paulista). Influenciado por trilhas sonoras de filmes e autores literários de ficção científica, Nalesso vai do jazz à música instrumental ambiente, com o uso de samplers, a Bing Bang Band caminha tortuosamente pelo mais obscuro mundo da música experimental. Recomendo: myspace.com/mnalesso
Sábado a noite, após rever todos os filmes de seu box do Indiana Jones, você não está com saco para ir naquela balada chata no centro da cidade, e muito menos, ir no churras do seu amigo. Mas e agora, o que fazer para animar a noite?
Por acaso já ouviu falar do quarteto do pianista de jazz Dave Brubeck? Não? Então orgulhosamente apresento o clássico Time out de 1959. Na minha opinião o melhor álbum de jazz ao lado de Kind of blue de Miles Davis. Há algum tempo que percebi que até a equipe de produção do Fantástico e Globo Repórter gosta de usar músicas desse álbum como trilha para algumas matérias.
Brubeck não era muito interessado em aprender por métodos, simplesmente queria compor suas próprias melodias e por isso nunca aprendeu a ler partituras. Evitava ler durante as aulas de piano de sua mãe, alegando dificuldade de visão. Na faculdade, Brubeck quase foi expulso do curso, quando um de seus professores descobriu que ele não sabia ler partituras. Muitos outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, mas a escola continuou com medo de que isso pudesse causar um escândalo, e só concordou em lhe dar o diploma se ele concordasse em nunca dar aulas de piano.
Em 1951 fundou o The Dave Brubeck Quartet, com Joe Dodge, Bob Bates, Paul Desmond. A gravação de Take five, uma composição de Desmond, em 1959, transformou o quarteto num campeão de vendagens da época. O álbum continha somente composições inéditas, sendo que quase todas tinham uma métrica ímpar, entre elas estavam os clássicos Blue rondo à la turk e Take five. A propósito, entre Brubeck e Desmond, viria a se desenvolver com o passar dos anos, um entrosamento quase telepático.
Pronto, agora a noite está garantida, basta abrir uma garrafa de cerveja de trigo, apagar a luz, sentar no sofá e apreciar.
1. Blue Rondo à la Turk – 6:44
2. Strange Meadow Lark – 7:22
3. Take Five – 5:24
4. Three to Get Ready – 5:24
5. Kathy’s Waltz – 4:48
6. Everybody’s Jumpin’ – 4:23
7. Pick Up Sticks – 4:16
Seattle é a maior cidade do estado americano de Washington e um grande centro financeiro, comercial, industrial e turístico. Considerada também como cidade global é massivamente conhecida por ser a cidade em que surgiu o movimento grunge na década de 90, onde bandas como Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains e Soundgarden apareceram. Também foi a cidade natal de Jimi Hendrix. Enfim, um lugar bacaninha.
Atualmente o que mais me chama atenção em Seattle é um conjunto musical que atende pelo nome de Fleet Foxes. O prímeiro álbum – “Fleet Foxes” – foi lançado em 2008. Devido ao grande sentimentalismo e beleza rítmica representada pelos simples acordes de violão, o pequeno período de tempo em que baixei o álbum e conheci a banda, foi suficiente para transformar a novidade em necessidade musical. Com certeza, já está entre os melhores do ano.
Liderada pelo vocalista e guitarrista Robin Pecknold, que cresceu ouvindo discos de Bob Dylan, Neil Young, The Zombies, e dos Beach Boys. Fleet Foxes segue uma linha de pop barroco com influência folk e de rock clássico. O grupo é composto por Skyler Skjelset (guitarrra), Bryn Lumsden (baixo), Nicholas Peterson (bateria), e Casey Wescott (teclados); o som é definido pelos próprios integrantes como “baroque harmonic pop jams”.
Bela indicação do meu querido irmão Adriano, como sempre, me apresentando preciosidades. Gracias hermano!
Sigur Rós é uma banda islandesa de post-rock, com elementos melódicos, clássicos e minimalistas, conhecida pelo seu som etéreo, puro, delicado, elevado e pelo falsete do vocalista, Jónsi. Em islandês Sigur Rós significa “rosa da vitória”, e pronuncia-se “si ur rous”, ou ['sɪɣʏr rous] no Alfabeto Fonético Internacional.
Heima significa “em casa”. No verão de 2006, Sigur Rós volta para o seu lar após uma turnê mundial. E para a surpresa de seu fiel público, a banda anuncia uma série de concertos gratuítos: “Sigur Rós, Islandstur 2006″, passando por dezesseis cidades ao todo.
Filme com 97 minutos, absolutamente fantástico, pois não se trata de captar apenas uma atuação da banda e colocá-la em DVD, mais do que isso, “Heima” exibe imagens gravadas por todas as dezesseis cidades, o cotidiano em vilarejos, a vida comum de pessoas comuns, e a história da banda comentada em intervenções pelos próprios integrantes.
Belíssimo registro que nos deixa a possibilidade de compreender um pouco sobre a cultura Islandêsa e toda a beleza artística do Sigur Rós, jóia da mais rara.
Em 2008, o quarteto californiano Simple Citizens, entrou em estúdio com a ideia de compor algo novo e totalmente diferente do que estava sendo produzido por aí. Madrugadas foram passando, rolos e mais rolos de fita em um longo processo de gravação que começou no inverno do mesmo ano.
O resultado foi um dos mais interessantes que poderia ser imaginado: Belas composições com solos de trompete, frases jazzísticas de guitarra que me lembra muito o grande guitarrista Lou Mecca. Também acho válido acentuar o maravilhoso som do contra-baixo acústico (double bass) junto com a levada groove da batera, casados em uma sintonia perfeita. E o que mais me chamou atenção foi ver que não existe um DJ nessa banda.
Destaque para as faixas “Canção para meu coração” que começa com batidas quebradas, num groove dançante, e do nada, quando menos se espera, vira um samba 2 pra 1. Outra bela composição é a “Breakfast dub”, como o próprio nome já diz: para começar o dia “bem”.
Assim como o sol nasce a cada dia, “Early Morning” é uma nova abordagem de música simples, independente, e fundida pelo calor familiar de alma velha. Indico a todos, pra animar sua madrugada, ou se preferir, para começar o dia com o pé direito.
Fonte: Obrigado Fernanda Reche, por ter compartilhado seu bom gosto.
Lançado em 64, Song for my father é considerado até hoje a grande obra-pima do pianista. A faixa-título é uma das composições mais interessantes e marcantes de sua carreira e serviu de inspiração para muita gente, até mesmo para Madlib (produtor, DJ, rapper e multi-instrumentista, que fez ótima releitura). A base criada pelo baixo e a bateria são a atmosfera ideal para os solos de Silver e Joe Henderson. Outro tema contagiante é “The Kicker”, composto por Henderson.
Horace Silver
Um dos mentores do hard bop, Horace Silver tocou com Stan Getz, Coleman Hawkins, Lester Young, Art Farmer, Milt Jackson e Miles Davis, e teve uma associação marcante com Art Blakey e os Jazz Messengers. Formou seu próprio quinteto em 1956 e desde então trabalhou bastante com esse tipo de formação, sendo um dos principais líderes de pequenos conjuntos. Passou quase trinta anos associado ao selo Blue Note. É compositor de vários temas que ficaram bastante conhecidos.
Horace Silver ficou associado ao estilo pianístico conhecido como “funky”. Inspirado no soul e no gospel, o jazz funky se caracteriza por uma repetição obstinada de figuras rítmicas sincopadas. Os improvisos são mais longos do que no bebop. As composições freqüentemente possuem uma forma estruturada em seções. Os sopros e metais comparecem desempenhando a função de moldura para a seção rítmica.
Silver é um pianista de toque duro, entrecortado e percussivo. Sua música é vigorosa e fortemente rítmica. É um excelente intérprete de blues. Entre os descendentes musicais de Silver e de seu jazz funky podemos incluir Herbie Hancock e Wayne Shorter.
Album raríssimo da banda liderada por Hermeto Pascoal e Olmir Stocker, com o guitarrista Lanny Gordin, o pianista Cido Bianchi e o contrabaixista Nilson da Matta. São 12 faixas que compõem um dos 100 discos psicodélicos mais emblemáticos da história, de acordo com a conceituada revista inglesa “Mojo”.
Se você adora música experimental e sempre achou o som de bandas como Tortoise (USA) inovador e diferente, é porque não conheceu Hermeto Pascoal. Uma mistura psicodélica, harmoniosa e dissonante, na realidade distorcida de quem enxerga música com texturas e timbres aconchegantes, provocando simultaneamente sensações de ansiedade, suspense e conforto. E o melhor de tudo, produzido cerca de 30 anos atrás, no final de uma década em que a internet estava longe de existir para ajudar a criançada a fazer acontecer o experimental.
Ano de lançamento: 1968 Arranjos: “Brazilian Octopus” Produção: Mário Albanese e Fausto Canova. Músicos: Aparecido Bianchi, Alexandre Gordin (Lanny Gordin), Carlos Alberto de Alcântara Pereira, Douglas de Oliveira, João Carlos Pegoraro, Hermeto Pascoal, Nilson Carlos Ruiz Matta and Olmir Stocker (Alemão). Canções: Mário Albanese, Ciro Pereira, Hermeto Pascoal, Olmir Stocker, Vitor Martins, Gabriel Fauré, A. Popp-P Cour, Rogério Duprat, João C. Pegoraro, Walter Santos, Thereza Souza and Edu Lobo.
Ótimo play, algumas faixas mais grooves, outras puxando mais para um ska / early reggae. Faça o download e toque para a galera dançar na sua festa!
Mas afinal, quem foi Jackie Mittoo?
O tecladista Jackie Mittoo nasceu em Kingston, Jamaica em 1948. Começou aos 13 anos a tocar na sua primeira banda “The Sheiks”, foi aí que conheceu o proprietário do famoso Studio One: Sir Clement ‘Coxone’ Dodd.
Dodd convidou-o para tocar piano em algumas sessões e acabou por se tornar um dos membros base da famosa seção rítmica do Studio One, aí nasceram “The Skatalites”. Jackie Mittoo foi o membro fundador da banda, eles mais que ninguém contribuíram para a evolução da música Reggae ao terem “inventado” o Ska! primeiro estilo musical a emergir na ilha nos anos 60.
A capacidade de abstração, criação e proceder de cada um de nós origina o que todos conhecemos por arte. Nosso poder de interpretação nos deixa a possibilidade de decodificar e compreender quem são os verdadeiros arquitetos do mundo dos sonhos, incorporado na arte.