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Hoje, venho até aqui para inaugurar uma nova coluna no SOUL ART: O fino da MPB. Aqui, eu e Caroline Betella discorreremos sobre os melhores álbuns de música brasileira, os mais emblemáticos, os que tiveram grande importância e influência para a MPB se tornar o que é hoje – o maior poder de nossa cultura nacional intrínseca. Então, ao trabalho, camaradas!

Costumo classificar alguns discos como mágicos – a maioria deles estarão, aliás, aqui nas próximas semanas – e o escolhido para ser o porta-estandarte de O fino da MPB é um deles: o fabuloso Clube da Esquina, de 1972.

No início dos anos 1960, jovens músicos mineiros se juntavam em uma praça, em Belo Horizonte, para trocar, tocar, conversar, divertir. Como jovens e, de alguma maneira, cansados dos 10 anos de intocabilidade da música brasileira com a Bossa Nova, eles produziam canções que fundiam as inovações trazidas por aquela mesma Bossa Nova a elementos do jazz, do rock’n’roll – principalmente The Beatles –, de música folclórica dos negros mineiros, e alguns recursos de música erudita e música hispânica. Algo como inovador e de irretocável beleza.

Passaram-se alguns anos e já se começava uma nova década, 1970. Foi então que o jovem e quase já imaculado, Milton Nascimento convidou seu companheiro Lô Borges, além das figuras que faziam parte daquela roda-de-música da praça para, enfim, gravar um disco.clube da esquina jipe

A consolidação de uma linguagem própria se firmou com o lançamento, em 1972, do disco Clube da Esquina (este duplo, com 21 canções), o qual, conta com a participação maciça de todos os membros do grupo de amigos músicos conhecido internamente como Clube da Esquina. A sonoridade obtida, o alto padrão de elaboração e a originalidade das composições e arranjos fizeram deste um dos discos antológicos da MPB. A música do Clube da Esquina trouxe diversos elementos novos à música popular brasileira, que, com o passar do tempo, se tornaram matéria de uso comum.

As letras das canções em geral revelam uma inclinação a construções mais abstratas, imagens ou metáforas que talvez sejam mais soltas de uma tradição poética da canção brasileira que as costumeiras da época – e mesmo depois. Pouco se encontra da estrutura de romance ou de narrativas, histórias ou situações das quais se pode tirar alguma moral ou mensagem.

“Ê morena quem temperou,
Cigana quem temperou
O cheiro do cravo

Cigana quem temperou,
Morena quem temperou
A cor de canela”

Clube+da+Esquina

Contudo, ainda que o grupo tenha apresentado uma nova perspectiva musical, o Clube da Esquina não foi visto pela mídia e crítica como um movimento de fato. Mas, sem qualquer dúvida, ele se constituiu apropriando-se de um alicerce oferecido por diversos movimentos musicais e culturais pregressos.

A CAPA

A capa do disco traz uma fotografia de duas crianças, Cacau e Tonho, em uma estradinha de terra nas proximidades de Nova Friburgo, onde moravam os pais adotivos de Milton Nascimento e onde o músico cresceu.

FAIXAS

1 – Tudo que você podia ser
(Lô Borges e Márcio Borges)

2 – Cais
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

3 – O trem azul
(Lô Borges e Ronaldo Bastos)

4 – Saídas e bandeiras nº 1
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

5 – Nuvem cigana
(Lô Borges e Ronaldo Bastos)

6 – Cravo e canela
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

7 – Dos cruces
(Carmelo Larrea)

8 – Um girassol da cor de seu cabelo
(Lô Borges e Marcio Borges)

9 – San Vicente
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

10 – Estrelas
(Lô Borges e Marcio Borges)

11 – Clube da Esquina nº 2
(Milton Nascimento e Lô Borges)

12 – Paisagem da janela
(Lô Borges e Fernando Brant)

13 – Me deixa em paz
(Monsueto e Ayrton Amorim)

14 – Os povos
(Milton Nascimento e Márcio Borges)

15 – Saídas e bandeiras nº 2
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

16 – Um gosto de sol
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

17 – Pelo amor de Deus
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

18 – Lília
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

19 – Trem de doido
(Lô Borges e Márcio Borges)

20 – Nada será como antes
(Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

21 – Ao que vai nascer
(Milton Nascimento e Fernando Brant)

 

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